American Party

Todos já conhecemos essa história, mas vale a pena ouvir a versão Rodrigo da coisa.

As férias de verão estavam se aproximando em toda a rede escolar do país, e a Benjamin Franklin High School não estava fora disso. Seus alunos já estavam contando os dias, as horas, para se verem livres daquela chatice e poderem aproveitar o verão nos clubes, festas à beira do lago e oportunidades de renda nada convencionais por aqui.

Só que essas férias também marcavam o encerramento do ano, e o fim da vida escolar para a turma 501, que se preparava para organizar a maior festa de formatura que a pequena cidade jamais viu. Seria algo extraordinário, algo que entraria para a estória do colégio. E é justamente nessa turma que vamos focar a nossa história de hoje. Como vocês poderão ler nas linhas a seguir, aquele realmente não foi um verão normal, pois essa festa ficou conhecida como a…

American Party – Where Every Teen Movie Begins O final das aulas estavam sendo muito divertido para o nosso principal personagem. Na noite anterior, na casa do seu amigo, houve uma festinha regada à pizzas e refrigerantes. O que era muito divertido, mesmo esse não sendo o pensamento de muitos dos seus colegas de classe. Mas além de divertido, tinha sido muito cansativo.

— Joe! Joe! Você já está acordado? São 8:30! Você vai se atrasar para o colégio!

— Hã? Hoje é domingo, não tem colég…

Realmente, domingo é dia de ficar em casa, fazendo nada. Minutos depois, alguém entra no seu quarto.

— E daí cara? Tá dormindo? Tua mãe me mandou aqui pra ver se tu tava vivo ainda.

— Hã? Hoje é domingo, não tem colég… Bud? O que tu tá fazendo aqui?

Há um lenda que diz que Steve, quando era menor, estava brincando com seu vizinho Joe enquanto seu pai fazia um churrasco para os amigos. Como os amigos do seu pai adoravam uma cerveja gelada, traziam dúzias e dúzias para o churrasco, e empilhavam tudo em cima da mesa. Acidentalmente, Steve foi tentar pegar seu Homem-Aranha, que também estava em cima da mesa, mas com uma das pernas presa embaixo da enorme pilha de latinhas. Num piscar de olhos, Steve pegou seu boneco e também ficou soterrado embaixo de mais de 50 latinhas de Budweiser.

— Hoje não é domingo e tu tá atrasado pra aula. Vamo cara!

Depois de pouco tempo se arrumando, Joe tascou um waffle da mesa da cozinha, deu um beijo na sua mãe, deu adeus pro seu pai e saiu com seu skate porta afora onde Bud já o esperava com seu triciclo.

— Bud, teus pais ainda não te deram um bicicleta nova?

— Não tem como, essa é a única que eu posso fazer curvas e não cair pro lado.

— Tá bom, vamos passar pela casa da Jackie, pra ver se ela quer ir conosco.

Quem não gostaria de morar naqueles subúrbios americanos em que as ruas são todas retas, planas, com calçadas propícias ao skate, com casas de madeira, cercas brancas e coisa e tal?

— Senhora Rose! Senhora Rose!

— Sim Joe?

— A Jackie ainda está em casa?

— Não, ela saiu faz poucos minutos, talvez vocês consigam alcançar ela antes dela chegar no colégio.

— Obrigado Senhora Rose! Vamos embora Bud.

— Pra onde?

— Pro colégio ora bolas. Vamos rápido. Talvez assim poderemos encontrar a Jackie lá embaixo na avenida.

Sem se darem conta, Joe e Bud não estavam mais sozinhos na rua.

— Ora, ora! Se não é o Joe Banana e seu amigo Bud-Butt-Head. O que vocês estão fazendo aí parados?

Aquele carro vermelho, conversível, logo denunciava que Greg, o quarterback do time de futebol do colégio, estava nas proximidades. E sempre acompanhado por Jennifer, loira, olhos azuis, peitos enormes, enfim, o amor de Joe.

— O-o-oi-i-i Je-e-enni-i-i-fe-e-er. — disse Joe após passar 5 segundos olhando ela.

— Oi Joe.

— Cala a boca mulher. Não se deve falar com estranhos. Hahaha!

Bud além de meio descordenado, tinha sérios problemas com relação a desaforos.

— Ei Greg, não somos estranhos!

— Ah é? São o que então?

— Nós somos os que vão comer o teu !(#@, seu filho !( 9#) (@#)!!!!

— Que? Vocês me pagam suas bichas!

A famosa ladeira Washington é conhecida por duas coisas: primeira, nenhum carro estacionado lá consegue realmente ficar estacionado, pois nenhum freio no mundo agüentaria, e segunda, todo mundo que já tentou descer ela, se estatelou no final.. E era para o lado dela que todos se dirigiam.

— Bud! Pedala mais rápido! O Greg está quase nos atropelando!

— To tentando! To tentando!

— Vou empurrá-los contra a Washington! Ninguém sai vivo de lá! Hahahaha! — dizia Greg enquanto acelerava cada vez mais seu bólido.

— Não faça isso Greg! Deixe eles pra lá! — falava a loira ao seu lado.

A medida que se aproximavam da ladeira, Greg jogava o carro cada vez mais pra cima dos dois intrépidos garotos.

— Joe, nós não estamos perto da ladeira Washington?

— Sim Bud, mas Greg não faria o que eu estou pensando.

— É, talvez, mas eu xinguei ele de filho @#¨&@ e ele pode ter ficado…

Nesse momento, Greg, rindo da desgraça dos outros, deu a última chegada pra lá em Bud e este foi indo diretamente à ladeira, e nada podia fazer pois seu triciclo não tinha freios. Joe, só pode ver Greg virando para o outro lado e em seguida saiu feito um míssil atrás de seu amigo, que poderia virar presunto em poucos segundos. Mas infelizmente, como sempre acontece, deu tudo errado.

— Nããããããããããããããããããooooo! — gritava Joe.

— Jerônimoooooooooooooooo! — exclamava Bud.

Joe conseguiu pegar com uma mão a mochila de Bud, mas justo nessa hora, uma roda do triciclo soltou e foi para baixo do skate de Joe e a partir daí só se viu dois corpos rolando pelo asfalto, seguidos de perto por um skate e um diciclo, pois este só tinha duas rodas agora. Depois de quase 80 rodopios, ambos chegam à esquina da rua com a avenida e são resgatados por Jackie.

— Nossa senhora! Garotos, vocês estão bem?

— Ai, ui, ai, que dor nas costas…

— Meu triciclo! Greg matou meu triciclo! Ele sofrerá por causa disso!

Mesmo usando óculos, aparelhos nos dentes e o cabelo sempre preso de um jeito muito esquisito, Jackie tinha o seu lado bonito. Ela era muito legal com seu melhor amigo Joe. Sendo quase vizinhos, eles cresceram juntos na mesma rua e se conhecem muito bem. Ela também estava presente no churrasco em que Bud fora soterrado por uma combinação de alumínio, água, malte e cevada.

— Por que vocês vieram pela Washington? Queriam se matar ou o quê? — questionava ela com um olhar de repreensão.

— Foi o desgraçado do Greg que fechou o triciclo do Bud e acabamos parando aqui embaixo.

— Eu acho que vocês não deveriam desafiar ele. Vocês já sabem o que acontece com quem faz isso…

Nesse momento, os 3 olharam para cima e recordaram 1 ano atrás, quando um gordinho chamado George que de tanto esbarrar em Greg enquanto fazia seu lanche, acabou por ser pendurado embaixo de uma da goleiras do campo só de ceroulas e com uma placa na barrigona que dizia: EAT ME. Não eram lembranças lá muito boas.

— Que fome que me deu agora. — dizia Bud enquanto Joe e Jackie se olhavam se intrigando o porque diabos daquilo.

— Se não nos apressarmos vamos chegar atrasados. Já peguei meu skate, vamos.

Até o caminho do colégio, todos foram relembrando a festa no dia anterior na casa de Bud, especialmente Jackie, que por poucos centímetros quase conseguiu realizar seu sonho de mostrar a Joe o quanto ela gostava dele.

— Hahahahahah! Ei Jackie, e aquela hora em que você se jogou pra cima do Joe, hein? Até parecia que você estava bêbada! — questionava Bud enquanto subia numa árvore.

— É que, hã, minha mão resfalou no encosto do sofá, e, bem, ainda bem que eu caí por cima de ti Joe.

— Realmente, mas que isso não aconteça mais hein! Imagina se a Jennifer estivesse ali e visse você caindo nos meus braços?

“O problema é todo daquela idiota! Joe, você não merece aquela coisa!” — pensava Jackie.

“Jennifer, Jennifer, Jennifer” — pensava Joe.

— PELOS PODERES DE GRAYSKULL! — gritava Bud enquanto apontava uma varinha de madeira em direção ao céu azul, sem nuvens, típico de verão.

O sinal havia tocado instantes antes dos 3 atrasados alunos adentrarem no corredor principal da Benjamin Franklin High School. Mas o diretor Simpson já os esperava.

— Steve, Johann e Jaqueline. Por que vocês se atrasaram?

— perguntou o enorme diretor que possivelmente podia transformar carvão em diamante com as mãos.

— Foi tudo culpa do filho da… humpf…humpf — Bud tentava falar enquanto Joe lhe fechava a boca com a mão.

— Tivemos apenas alguns contratempos com alguns mau elementos Senhor Diretor. — adiantou Jackie.

— Tudo bem, podem passar. Mas essa é a última vez.

Logo em seguida entrava pela mesma porta Greg, que pela enésima vez repetia o mesmo tedioso discurso para tentar se livrar do castigo. Mas em como todas as outras vezes, não funcionava.

— Alunos, como assunto da nossa aula de História de hoje, vamos discutir a Guerra do Golfo. Alguém sabe me dizer por que os EUA entraram nessa guerra?

Enquanto a professora Sarah fazia essa pergunta, nossos amigos se ajeitavam em suas classes, no maior silêncio, menos Joe, que por sentar ao lado de Jennifer, e esta estar de pernas cruzadas e com uma saia curtíssima, fez com que o abestalhado tropeçasse na cadeira e empurrasse estrondosamente a mesa inteira para frente.

— Johann! Que bom ver que você está em aula. Aproveite a sua interrupção e responda minha pergunta. — perguntou a professora apontando para a bandeira hasteada lá fora.

— Essa é fácil professora! Somos os melhores do mundo e acho que para aumentar o orgulho do nosso ego, resolvemos atacar um barbudo atarracado lá no deserto e pegar o petróleo dele para nós!

— Ótima resposta! E você Miguel? Qual você acha que foi a causa dessa guerra?

Miguel Sanchez estava fazendo um intercâmbio entre a sua escola no México e a Benjamin nos EUA por 1 ano, por ser o melhor aluno de lá.

— Professora, eu acho que na tentativa de os EUA se solidificarem como capitães do mundo, vocês aproveitaram uma brecha em algum lugar, e resolveram atacar alguém que já foi seu aliado pelo simples motivo de ele não estar mais cooperando. Obviamente o resultado não foi igual ao da Guerra do Vietnã pois vocês travaram a maior guerra tecnológica da história contra pessoas desarmadas, que seguiam as palavras de um ditador e acredito que tudo isso serviu para vocês se divertirem à custa dos outros.

— Miguel, tu acaba de ser expulso dessa escola! — gritou a professora.

— Eu vou! Mas para provar que os EUA não é um país livre! — dizia o mexicano enquanto corria em direção a janela e pulava através dela para depois de 10 metros, levar 4 tiros nas costas que foram disparados por algum patriota americano vestindo uma camiseta da Nike, boné da Microsoft, chaveiro da General Motors e calça do McDonald’s.

Durante essa confusão, Greg entrou na sala após ter cumprido seu castigo e ter deixado um cheque de 100 dólares para o diretor. Enquanto sentava na cadeira ao lado de Jennifer mas do lado oposto de Joe, Greg viu que o pentelho não tirava os olhos das pernas da sua namorada.

— Joe, tu quer morrer seu desgraçado!

— Calma Greg, eu só estava procurando minha caneta.

— Tu não me engana Joe, no intervalo, lá no refeitório, tu vai levar o que tu merece…

O resto da aula seguiu normal, a professora ensinando o americanismo à americanos, Joe olhando para Jennifer, Greg olhando para Joe, Jackie olhando para Joe, Bud olhando resvistas em quadrinhos escondidas por dentro do caderno.

Quando o sinal soou denovo, houve um arrastão de pessoas e coisas pelos corredores até o refeitório. Bud foi levado pela multidão e logo sumiu no meio de tudo e de todos. Enquanto isso Jackie tentava falar com Joe.

— Joe, você não deveria ficar tão deslumbrado com a Jennifer. Ela pode não ser tudo o que tu espera.

— Deixa disso Jackie, ela é linda, tem o corpo perfeito, todo mundo quer levar ela pro baile na sexta. Ela é tudo de bom. E um dia ela poderá ver que o Greg não gosta muito dela.

— Sim, e agora por causa dela tu vai apanhar denovo do Greg. Tu não acha isso um tanto quanto masoquista?

— Por ela eu faço qualquer coisa. — disse Joe fechando o armário e seguindo para o refeitório.

Na fila, Joe conseguiu um lugar logo atrás de Jennifer e foi seguindo ela, não importando para o que estivéssem colocando na sua bandeja. Após sair da fila, Joe foi seguindo Jennifer até ele se deparar com Greg e o resto do seu time de futebol atrás fazendo escolta.

— Joe Banana. Tu nunca aprende não é mesmo? Mas agora tu vai aprender na marra de uma vez por todas. — dizia Greg enquanto amassava uma torta na cara de Joe.

Como todo bom povo capitalista, americanos não tem vergonha de fazer gigantescos desperdícios de comida, mesmo sabendo que seus filmes serão exibidos em países não tem providos de alimentos. Pois então.

Jackie, temendo pelo seu amado, veio correndo com outra torta na mão e fez com que ela simplesmente colasse ao rosto de Greg. Bud, lá do fundão, vendo tudo aquilo acontecendo, não deixou por menos. Subiu em cima da mesa, sacou dois tubos de ketchup e mostarda e saiu correndo em cima da mesa ao encontro de seus amigos. Chutando lanches, sucos e mochilas, Bud foi pegando velocidade até que na beirada da mesa ele pulou, foi voando e atirando condimentos em todo o uniformizado time de gigantes, enquanto ia caindo na direção do chão por enquanto limpo do refeitório. Joe, limpando a cara da torta de chantilly, foi gritando:

— GUERRA DE COMIDA!!!!!

O que se viu daí por diante foram mais de 100 quilos de comida voando pro cima de centenas de cabeças que lanchavam calmamente por ali. Purê de batatas, bifes, copos, chocolates, caixinhas de leite, ou seja, tudo o que estava ao alcance dos alunos era usado para ser jogado para qualquer lado, em qualquer velocidade só para uma diversão qualquer.

Enquanto dava uns amassos na professora Sarah na sua sala, o diretor Simpson escutou um barulho que vinha do corredor. Se recompondo e reajeitando sua roupa, o gigante epaminondas foi seguindo o barulho e parecia vir do refeitório. Ao parar na frente da porta do recinto citado anteriormente, Simpson viu pela janela que o almoço já estava fora de controle. Ele empurrou a porta e gritou:

— Mas que diabos é i… — antes de completar a frase, uma colher de madeira lhe acertou em cheio o meio da testa. Aquilo com certeza iria formar um grande e roxo galo.

Se aproximando do centro da catástrofe, Simpson viu 3 cenas distintas:

— Greg e Joe, um tentando sufocar o outro com purê de batatas no chão, enquanto rolavam de um lado pra outro.

— Jackie e Jennifer se pegando pelos cabelos, gritando uma pra outra qual dos seus 2 homens era o melhor.

— Bud correndo entre mesas, cadeiras e pesoas, sendo perseguido por 7 marmanjos todos melados de ketchup e mostarda.

— Agora chega! Johann, Greg, Jennifer, Jaqueline e Steve, já para minha sala. — ordenou o diretor enquanto massageava a área avermelhada na sua testa.

Grandes janelas, limpeza impecável, móveis em ótimo estado e sempre um cheirinho de Good-Air (sim, nós exportamos com outro nome!!), não foram capazes de expelir aquele cheiro de comida e condimentos da sala do diretor. E este não estava nada feliz, pois as pessoas que estavam à sua frente além de terem sujado sua sala, arruinaram um dia inteiro de aula, enporcalharam o refeitório e principalmente, não deixaram ele afogar o ganso e molhar o biscoito da professora Sarah.

— Sinceramente, não sei o que fazer com vocês. Vocês foram longe demais dessa vez. Vocês merecem um castigo exemplar para que isso não se repita mais. Vejamos, vocês tem até o final das aulas para deixar o refeitório do jeito que estava antes dessa maldita guerra de comida.

— Então deixa ele como está. Já era sujo antes mesmo. — falou Bud enquanto apontava o décimo lapis naquela caixinha preta que fazia um barulhinho.

— Ok. Não precisam deixar ele muito limpo então. Só tirem a comida. Os animais nocivos à sociedade podem deixar por lá mesmo.

Que trabalho ingrato. Limpar quase 200m² de chão com um balde, uma esponja e um esfregão. Que escola pobre alguns diriam. Que excelente método de aprendizagem diram outros. Pois então.

— Ai que droga! Acabei de quebrar minha terceira unha! — dizia Jennnifer enquanto de joelhos, esfregava o chão com a esponja (YEAH!).

— Ai, ui, ai, ui! Como tu é nojentinha, hein Jennifer? — desabafava Jackie enquanto tentava limpar o chão com o esfregão.

— O que? Vem aqui que eu vou te mostrar uma coisa garota!

— Vamo vê então! Vem! Vem!

— Calma garotas. Isso só via fazer com que nossa tarefa seja alongada por mais algum tempo. — dizia Joe, trazendo o balde cheio de água. — Por falar nisso, cadê o Greg?

— Ele disse que ia no banheiro — disse a loira.

— Por mim ele poderia ir pra @#&8(#9#!ASAS*D!!! — exclamava o cervejeiro, que estava na árdua tarefa de limpar o “grosso” da coisa.

— Pois daquele ele vai estar de volta e vai me ajudar nisso aqui. Não agüento mais… — falava Jennifer até ser interrompida pela cena que viu através da janela, enquanto se levantava. — É o Greg! E com uma mulher! E essa mulher não sou eu! É a vice-chefe das cheerleaders! E eu sou a chefe! Ele se rebaixou!

— Hahahahaha! Greg mostra sua cara para o público! — disse Jackie.

— Isso não vai ficar assim! Joe, me dá esse balde.

— Claro! Vai querer limpar ao… — Joe não conseguiu terminar a frase pois acabava de ser preseteado por um longo beijo de Jennifer.

— Joe, quer ir comigo no baile?

— Mas é lógico!

Muitas reações foram presenciadas nesse momento. Jackie encheu os olhos de lágrimas e saiu correndo do refeitório. Greg, lá de fora, vendo pela mesma janela o que sua namorada fazia gritava palavrões direcionados à Joe, prometendo vingança. E Bud estava no mesmo lugar de antes.

Após terem limpado toda a sujeira, todos estavam à frente do colégio. E Jennifer aproveitou a oportunidade:

— Joe, tu poderia me pegar às 8 da noite sexta?

— Claro Jennifer, qualquer coisa…

— E eu Jenny querida? Vou com quem? — questionou o quarterback.

— Vai com aquela tua lá. Pois eu vou com o meu Joe.

— Joe, vou te pegar seu desgraçado. Mas não agora porque to muito cansado.

Os dois excluídos da conversa, resolveram fazer algo.

— Bud, tu já tem alguém pra ir no baile?

— Que baile?

— O baile da nossa formatura, sexta-feira.

— Não tenho não. Por quê?

— Quer ir comigo?

— Aham. Tu me pega que horas?

— Hã? Bem, que tal às 8 horas também?

— Ótimo, vou colocar meu melhor vestido. — dizia Bud enquanto corria atrás de uma borboleta.

Enquanto conversava com Bud, Jackie ficou olhando para Joe para ver se ele seria contra a a escolha dela. Mas ela viu que ele não tirava os olhos de Jennifer. “Ele vai descobrir da pior maneira que ela não presta.” — pensou Jackie.

Dois dias se passaram e finalmente chegou o dia da festa. Todo o ginásio da Benjamin Franklin High School estava decorado para o baile. Balões, fitas, as mesas com o ponche, o palco para a banda que iria tocar.

E pontualmente às 8 horas, com tinha sido marcado, todo mundo foi chegando na casa dos seus pares para acompanhá-los ao baile. 30 minutos depois os 3 casais da nossa história chegavam ao mesmo tempo na porta do ginásio.

— Joe, tu vai virar panqueca lá dentro. — ameaçou Greg com sua morena muito gostosa do lado.

— Pois é o que vamos ver então. — replicou Joe, se encostando mais em Jennifer.

— Joe, não espere que eu te defenda! — disse Jackie logo atrás, quase puxando Bud.

E os 6 adentram a porta do ginásio que em seguida se fecha por trás deles, formando novamente o símbolo pintado da escola.

Logo ao entrarem no ginásio, cada casal se encaminhou para lugares diferentes, sendo que Greg, enquanto apontava o dedo para Joe, ia para a mesa do ponche, Joe era puxado para a pista por Jennifer e Jackie com Bud procuravam alguma cadeiras para se sentar. No palco, uma banda formada por alunos da própria escola tocava hits do momento.

Greg fazia sempre três ações consecutivas: tomava ponche, agarrava sua companheira, falava mal de Joe.

Joe fazia sempre três ações consecutivas: um passo pra cá, dois passos pra lá, continuar abraçando.

Simpson só pensava em três coisas: não vou separar Greg e Johann se brigarem, cade a professora Sarah, cade a professora Sarah.

Após a banda tocar a última música, o diretor Simpson subiu ao palco e anunciou aos presentes:

— É com grande orgulho que apresento para vocês, a melhor banda canadense, SUM 41.

E galera vai ao delírio!

— SUM 41! SUM 41! SUM 41!

Com Deryck na guitarra e vocal, Dave na guitarra solo, Steve na bateria e Cone no baixo, Sum 41, começa o show com Motivation. E a galera vai ao delírio! De novo!

Assim, nossos 3 casais se juntam na pista e começam a “dançar” como todo mundo. Claro que Greg se postava o mais próximo possível de Joe, e este tentava ficar o mais longe. Jackie tentava não se importar com o que acontecia ao seu lado, mesmo que gostaria que Joe estivesse fazendo a mesma coisa que fazia em Jennifer, nela. Mas Bud até que dançava bem, não do jeito normal, mas de uma forma muito peculiar.

Quando Sum 41 começou a tocar Heart Attack, Jennifer fez uma proposta à Joe:

— Joe, porque não vamos para um lugar um pouco mais reservado? — falava ela enquanto colocava o dedo na boca daquele jeito bem sei-lá-o-que de ser.

— Claro! Vamos para onde?

— Vamos ali para o vestiário feminino.

E lá se foram eles, e Greg nem notou, só Jackie. Quando o quarterback se deu em conta, já saiu gritando.

— Pra onde diabos eles foram? — gritava ele enfurecido.

— Ai Gregzão, pra que importar com aquela vadia? — falava a vice-chefe das cheerleaders.

— Cala a boca mulher! A Jennifer é minha, só minha! — e saiu empurrando todo mundo à procura do seu alvo.

— Isso não vai acabar bem. — disse Jackie.

— O quê? — perguntou Bud.

— Deixa pra lá, vamos continuar dançando.

Não demorou muito tempo para Greg constatar que Joe e sua Jennifer não estavam mais na pista, nem ao redor, nem fora do ginásio. Só faltava os vestiários. Entrou no masculino e encontrou o resto do seu time de futebol com garotas.

— Todos vocês, venham comigo. Hoje nós acabamos com a raça do Joe!

Todos fizeram uma roda, juntaram as mãos e gritaram.

— BENJAMIN TIGERS!

Chutando a porta do vestiário feminino, Greg foi mostrando que não estava para brincadeira. Foi passando por todos os corredores de armários, até que no último achou o que queria.

— Joe, eu vou te matar!

— Mas que droga! — dizia Joe.

Lá no ginásio, com a música, ninguém escutava o que acontecia dentro do vestiário feminino. A banda tocando a todo volume, abafava os socos, chutes e pedidos de socorro por parte de Joe, e as risadas de satisfação por parte de Greg. Todos só realmente viram o que estava acontecendo quando Joe foi lançado pela porta do vestiário, caindo alguns metros depois no chão de madeira da quadra.

— Eu ainda não acabei Joe! — gritava Greg enquanto passava pela mesma porta, seguido por seus comparsas.

— BRIGA DE COLÉGIO! — gritou Joe numa tentativa de fazer com o tumulto ajudasse na sua fuga.

E assim foi. Todos começaram a brigar. E o diretor Simpson não estava nem aí para o problema. Aliás, ele nem estava no ginásio. Ele estava na sua sala, com a professora Sarah, finalmente a sós e com nenhuma probabilidade de serem incomodados.

Joe foi correndo pela multidão enfurecida até que achou Bud, batendo numa cadeira.

— Bud, tenta distrair os amigos do Greg enquanto eu penso em alguma coisa para não apanhar dele.

— Tá bom.

E lá foi Joe correndo, com Greg atrás. Bud saiu para o outro lado procurando os “romanos” para aplicar-lhes uns socos a lá Asterix. E no palco:

— Deryck! Deryck! — dizia Steve, de trás de sua bateria.

— O que foi? — respondeu Deryck.

— Por que não aproveitamos essa confusão para pegar algumas garotas de 12 anos e vamos voltar para o backstage para assinar nossos nomes nas bundas delas?

— Que espetáculo!

Em dado momento, Joe, se viu entre a mesa do ponche e Greg, com as mãos abertas, prontas para fazer de Joe mais uma de suas vítimas. Bud se via cercado pelos compatriotas de Greg, rezando para que conseguisse sair vivo. Quase que ao mesmo tempo, Greg acertou um soco na cara de Joe, e os integrantes do time pegaram Bud e o jogaram pelo chão, fazendo-o rolar por baixo da mesa. Enquanto voava para trás com a força do soco, Joe empurrou o “baldezão” de ponche para fora da mesa, que foi justamente cair na cabeça de Bud que tentava sair debaixo dela. O “baldezão” se estilhaçou e o ponche se espalhou por todos os lados. Jackie que viu a cena enquanto lutava com Jennifer, acertou na sua um último golpe e foi correndo em direção ao amigo.

— Bud! Bud! Fala comigo!

— Bud? Quem é Bud? Meu nome é Steve.

Greg continuava a surrar Joe na mesa, até Jennifer aparecer e dizer para ele que eles poderiam voltar, já que ela não queria mais ficar com alguém todo quebrado. Greg pegou sua ex-atual-namorada pela cintura e foi levando ela pro vestiário. Joe todo acabado, se ajoelhou no chão, agradecendo por estar vivo.

— Ai, ui, obrigado Deus. E a Jackie estava certa. Estou completamente arrependido. Ei, espere, a Jackie gosta de mim! YEAH! UHU! Vou procurá-la.

Do outro lado da mesa:

— Steve, você está diferente.

— Jackie, como você está linda hoje. Desculpe eu não ter falado isso antes. Obrigado por ter vindo me ajudar.

E como se fosse amor à primeira vista, Steve passou a mão pelo rosto de Jackie, e esta lhe beijou a mão e em seguida, bem, eles se beijaram né.

Nesse momento, Joe aparecia por cima da mesa e viu seus amigos se beijando. E viu o quanto tinha sido se fudido por não ter dado ouvidos à Jackie enquanto era tempo.

E Joe ficou sozinho.

No backstage:

— Faltou lugar em suas bundas garotas. Tirem as blusas! — dizia Dave com um pincel atômico nas mãos.

The End

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