Ninguém, alguém ou tanto faz

Estava eu escrevendo um e-mail relatando a rotina de trabalho em uma sexta-feira no serviço institucional (serviço público incluso). Para me referir ao estereótipo que todo mundo conhece, eu pensei na frase “Ninguém faz nada”, mas acabei escrevendo “Todo mundo faz nada”.

Tirando as loucuras e exceções do português politicamente correto, incluindo concordância, tempos verbais e coisas que não vem ao caso agora, vamos fazer uma análise em cima do ninguém.

Ninguém é alguém negado, portanto, é ninguém. Ninguém faz nada é como se não-alguém fizesse algo, só que esse alguém não existe, então ninguém faz nada. Mas ninguém não pode fazer nada porque ninguém não consegue realizar nada. Então eu não posso escrever ninguém faz nada.

Eu poderia ter escrito não-ninguém faz nada, mas as pessoas achariam estranho.

Alguém falou alguma coisa? Ninguém!

Rá! Então alguém falou algo, mas esse alguém é ninguém, porque ninguém falou coisa alguma, mas como dizer para a pessoa que está perguntando, que ninguém falou nada? Aliás, falar nada é simplesmente falar nada, logo, ninguém pode falar/fazer nada, se pudesse, porque ele não pode.

Vocês estão entendo? Mais um pouco eu dou um tutorial para ganhar o Detetive em 10 movimentos só acusando alguéns e ninguéns.

Pois bem, alguém não é todo mundo, mas todo mundo negado é ninguém. Então, a partir desse meu texto, você pode perguntar: não é todo mundo que quer esse sorvete maravilhoso né? Porque não + todo mundo = ninguém, logo, o sorvete vai ser todo seu.

E o tanto faz?

Olhe bem, tanto faz se alguém quer ler isto, o que importa é que ninguém reclame. Levando em consideração que tanto faz + alguém pode variar entre todo mundo ou ninguém, a frase anterior pode ser entendida como todo mundo quer ler isso ou ninguém quer ler isso. Mas o que importa é que ninguém reclame.

Não vai chover hoje?

Estou há alguns minutos pensando em alguma pergunta que me embrulhe a cabeça, porque tenho um problema com perguntas com não. A pergunta vem negando, e então a sua resposta deveria ser negada também. Ou não? Pois é.

— Não vai fazer sol hoje?

— Sim.

— Vai?

— Não.

— Mas tu disse que sim.

— Mas não vai fazer sol.

— Vou perguntar de novo. Não vai fazer sol hoje então?

— Sim.

— Então vai?

— Não!

— Palerma! Qual é o teu problema? Não tem o cérebro?

— Não.

— Hahahahahahahaha idiota sem cérebro!

— Mas eu tenho o cérebro!

— Mas tu acabou de dizer que não tinha!

Estima-se que de cada 10 jovens brasileiros, só eu sofra desse pequeno click no cérebro. Espero que com o avanço da ciência, principalmente na área de barrinhas de cereais, em 10 ou 80 anos eu esteja recuperado.

t+

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